Das estatais mineiras

Stefan Salej

A história e análise das estatais mineiras, cujo número e falta de números exatos sobre o que produzem e fazem é impressionante, não termina nunca. É impressionante em sua análise não apenas o desconhecimento desse segmento da economia mineira pelo público em geral como também pelos próprios agentes da administração pública. A nítida impressão que fica é que os únicos que sabem bem onde está escondido o ouro nessas empresas são os políticos que procuram vantagens, cargos para si e seus afilhados. Perder eleição, mas ser contemplado com um cargo numa estatal, ou então nem concorrer mas ter um bom padrinho pode ser às vezes até mais vantajoso do que exercer o cargo. Tem mais liberdade de ação, sob o guarda chuva de um planejamento estratégico e governança corporativa escondem-se vantagens, enganação do público em geral e quem sabe e ninguém confirma, negócios. A leitura mais atenta até dos sites, sem falar dos balanços, raros e pouco claros, mostra em geral muita filosofia, promessas, todos prometem ser fundamentais para o desenvolvimento de Minas Gerais, ações espetaculares e resultados que todo mundo vê e ninguém enxerga.

 

Enquanto a CEMIG, junto com a COPASA, são mais visíveis porque prestam serviços diretos para a população em geral, há outras empresas na área de desenvolvimento como o BDMG, INDI, MGI, PRODEMGE, CODEMIG ou FAPEMIG, que não é empresa mas fundação, fundamental para desenvolvimento de ciência e tecnologia, que ditam o desenvolvimento do estado e criação dos empregos. Hoje em dia quem dá as cartas é a CODEMIG que, com lucro líquido no ano passado de quase 600 milhões, é agressivo agente de desenvolvimento do estado. Sua atuação, tanto quanto o retrato de ousadia do seu próprio presidente, passa das fronteiras do usual e se intromete em parceiras com entidade de classe industrial em projetos ousados que às vezes mudam o futuro de Minas. Mas, também no varejo, apesar de muita propaganda de transparência, apoia projetos na área de moda que mais tem que ver, apesar de aparente sucesso, com ligações familiares entre os dirigentes empresariais e transferências de recursos, do que com a criação de empregos ou bem social. Mas, no capítulo da ousadia ainda tem a abertura de linhas aéreas para o interior e a revitalização do antigo prédio do BEMGE no centro de Belo Horizonte, como polo de indústria criativa. Haja coração para entender onde essas entidades de desenvolvimento cooperam entre si e criam de fato mais empregos e menos deficit fiscal para o estado. Ainda há a revitalização dos distritos industriais que, sem dúvida, é um projeto gigantesco.

 

Nesse capítulo, tem a misteriosa MGS, que presta serviços de manutenção e limpeza para o estado. Para os defensores da economia liberal, eis um prato cheio. Por que o estado precisa de empresa de limpeza? Aliás, uma misteriosa, que concorre diretamente com centenas de empresas privadas na área. E com o estado continuamente terceirizando serviços.

 

O estado deficitário terá que um dia reorganizar as suas empresas públicas, necessárias para o desenvolvimento de Minas. É uma questão do tempo e, por incrível que pareça, este governo pode ter a capacidade técnica de fazer. Uma economia competitiva não aguenta pagar a conta da caixa preta das estatais. Esse debate tem que sair da sombra e ser agenda da sociedade.

 

Stefan Salej

Empresário

Ex Presidente do SEBRAE Minas e da FIEMG Federação das indústrias de Minas Gerais

8.7.2017.

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