Ausências de Cleitinho e Patrus em debates e sabatinas levantam questionamentos na campanha em Minas

17 Set, 2026 - 08:29
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Ausências de Cleitinho e Patrus em debates e sabatinas levantam questionamentos na campanha em Minas

Candidatos mantêm agendas eleitorais, mas recorrência de representantes em encontros e recusas a formatos de confronto direto colocam participação pública das chapas em discussão

A campanha pelo Governo de Minas Gerais começa a colocar em evidência uma questão que vai além do número de compromissos cumpridos pelos candidatos: a participação dos cabeças de chapa em debates, sabatinas e encontros destinados à apresentação e ao confronto de propostas.

Cleitinho Azevedo (Republicanos) e Patrus Ananias (PT) mantêm agendas de campanha. Patrus cumpriu compromissos recentes no interior e em Belo Horizonte, incluindo Varginha, Poço Fundo, Uberlândia e uma feira na Serraria Souza Pinto. Cleitinho também participa de atividades eleitorais e teve agenda anunciada em Conselheiro Lafaiete nesta quarta-feira.

A discussão, portanto, não está relacionada a uma ausência completa das ruas ou da campanha, mas à participação dos candidatos em determinados espaços de exposição pública, especialmente aqueles destinados a perguntas, sabatinas e apresentação direta de propostas.

  • Vices assumem compromissos das chapas

No encontro promovido pelo Codese-BH, Minas Tênis Clube e Diário do Comércio, por exemplo, a programação oficial reservou à candidatura de Cleitinho uma participação por meio do candidato a vice-governador, Luís Eduardo Falcão. O evento, realizado entre 15 e 17 de setembro, confirmou Falcão como representante da chapa no encontro marcado para esta quinta-feira (17). 

A participação do vice em compromissos da candidatura tem se repetido. Na série de encontros promovida pela Federação das CDLs de Minas para discutir propostas relacionadas ao comércio e aos serviços, Falcão participou da agenda destinada à chapa, abordando temas como reforma tributária, escala 6×1, ambiente de negócios e estradas.

A mesma dinâmica está prevista para o encontro promovido pelo Sicepot-MG e Sinduscon-MG, marcado para 21 de setembro. A programação oficial informa expressamente a participação de Luís Eduardo Falcão como candidato a vice-governador representando Cleitinho. 

Com Patrus, ocorre movimento semelhante. Seu candidato a vice, Jarbas Soares, vem participando de compromissos nos quais apresenta propostas da chapa. Em 9 de setembro, por exemplo, Jarbas se reuniu com representantes do Sindifisco e da Affemg para discutir propostas relacionadas à administração tributária e ao funcionalismo. 

A participação dos vices, por si só, faz parte da dinâmica de uma campanha eleitoral. Falcão e Jarbas integram as respectivas chapas e têm legitimidade para apresentar e defender seus programas. A questão levantada pela recorrência dessas substituições está nos compromissos em que se espera a presença do próprio candidato ao governo para responder diretamente aos questionamentos.

  • Debate cancelado após baixa adesão

Um dos episódios que ampliaram essa discussão ocorreu no debate que seria promovido por O TEMPO e Rede 98 em 8 de setembro.

Seis candidatos foram convidados. Mateus Simões, Gabriel Azevedo e Flávio Roscoe confirmaram participação, enquanto Cleitinho informou previamente que não compareceria. Com apenas três dos seis convidados confirmados, a organização decidiu cancelar o encontro. 

A situação também chegou às sabatinas promovidas pela Rede 98. Gabriel Azevedo, Alexandre Kalil e Flávio Roscoe participaram da série, enquanto Mateus Simões tem participação prevista para 21 de setembro. Cleitinho e Patrus recusaram o convite, segundo a emissora. 

A repetição das ausências nesses formatos abre espaço para questionamentos sobre a estratégia adotada pelas duas campanhas.

Debates e sabatinas, embora tenham características diferentes, colocam os candidatos diante de perguntas e da necessidade de explicar diretamente suas propostas. No debate, há também confronto entre adversários, interrupções e réplicas. Na sabatina, o formato concentra a interação entre candidato e jornalistas.

  • Cleitinho aposta em participação seletiva

No caso de Cleitinho, a campanha mantém atividades próprias e articulações políticas enquanto reduz a exposição do candidato em determinados formatos tradicionais.

Falcão também intensificou articulações municipais e participou, ao lado de Cleitinho, de encontro com mais de cem prefeitos. A chapa, portanto, mantém uma estratégia de presença política e municipalista, ao mesmo tempo em que utiliza o candidato a vice para ocupar parte dos espaços institucionais.

Cleitinho aparece na liderança da pesquisa Datafolha divulgada em 11 de setembro, com 37% das intenções de voto. O levantamento ouviu 1.204 eleitores entre 8 e 10 de setembro e tem margem de erro de três pontos percentuais. 

A posição nas pesquisas pode ser considerada no cálculo estratégico de uma campanha sobre exposição pública. Isso, porém, não permite concluir por si só qual é a motivação para cada ausência, caso a campanha não a tenha declarado.

  • Patrus também mantém agendas fora das sabatinas

Patrus vive um cenário diferente, mas também segue cumprindo compromissos eleitorais enquanto deixa de participar de alguns espaços de confronto e questionamento direto.

A campanha também produziu novas peças de propaganda nas últimas semanas. Em 9 de setembro, por exemplo, divulgou material com críticas a aspectos do governo Zema.

Assim como no caso de Cleitinho, não se trata, portanto, de ausência completa de campanha. A questão está na escolha dos ambientes dos quais o candidato participa pessoalmente e daqueles em que a chapa é representada pelo vice.

Jarbas Soares pode apresentar as propostas da candidatura, assim como Luís Eduardo Falcão pode defender o programa da chapa de Cleitinho. Ainda assim, o candidato a vice não ocupa exatamente a mesma posição política daquele que disputa diretamente o cargo de governador.

  • Participação passa a integrar o debate eleitoral

Nenhum candidato consegue comparecer a todos os eventos para os quais é convidado, e a divisão de compromissos com o vice faz parte da rotina de uma campanha estadual.

O que coloca o tema em discussão é a recorrência.

Quando ausências alcançam debates, sabatinas e encontros institucionais, a participação dos próprios candidatos nesses espaços passa a ser uma questão relevante para o eleitor avaliar durante a campanha.

A eleição é também o período em que candidatos são chamados a apresentar propostas, responder a questionamentos e explicar como pretendem administrar Minas Gerais e seus 853 municípios.

Nesse contexto, as ausências de Cleitinho e Patrus em determinados formatos e a utilização recorrente de seus candidatos a vice como representantes das chapas tornam a estratégia de exposição pública de cada campanha um tema que os próprios candidatos podem ser chamados a explicar ao eleitor.

SINDIJORI MG Redação do SINDIJORI MG.